sábado, 24 de setembro de 2011


Pentecostes em Madri


            Há exatos trinta dias, encerrava-se em Madri a Jornada Mundial da Juventude, com uma missa presidida pelo Papa Bento XVI no aeródromo de Cuatro Vientos, à qual acorreram mais de dois milhões de jovens dos cinco continentes. Cerca de 193 países estavam lá representados.
            Na busca de palavras – que muitas vezes não são capazes de exprimir as experiências vividas ao longo da vida – que pudessem resumir o que foi passar uma semana numa Madri que teve sua população quase que duplicada, lembrei-me de At 2, 1-13: Pentecostes. Na altura do versículo 7, após o Espírito Santo vir sobre os Apóstolos, os “judeus piedosos vindos de todas as nações que há debaixo do céu” (At 2, 5), exclamaram estupefatos: “Não são acaso galileus todos esses que nos falam? Como é, pois, que os ouvimos falar, cada um de nós, no próprio idioma em que nascemos?”(At 2, 7). O Espírito Santo, em sua manifestação extraordinária como línguas de fogo – a que os teólogos dão o bonito nome de teofania – permitiu que os Apóstolos anunciassem a Boa Nova da Ressurreição em todos os idiomas possíveis, bem como que fossem compreendidos por todos os seus interlocutores.
            Pois bem, esta experiência de Pentecostes foi vivida em plenitude nos dias da JMJ. E com certeza o grupo que comigo estava – os amigos que o Espírito suscitou em minha vida; sim, porque o Espírito também suscita relacionamentos duradouros – concordará. Como assim Pentecostes? Inicialmente, fizemos nossa pré-jornada num povoado chamado Brenes, a cerca de 20 Km de Sevilha, que por sua vez fica a sete horas de Madri. Foram três dias de convivência com as famílias de lá. Poucos de nós dominava o espanhol, contudo isso não prejudicou em nada nossa “comunicação” e entrosamento, a ponto dos jovens breneros derramarem lágrimas quando da nossa partida, dizendo que nós marcamos suas vidas para sempre. Como podem surgir relacionamentos tão profundos com um oceano de distância e algumas diferenças linguísticas? Coisas do Espírito... Inclusive com um grupo de libaneses que lá estavam, fizemos amizades duradouras, que rendem horas de conversa nas redes sociais. Cheguei ao ponto de fazer uma animação vocacional com uma jovem libanesa – eu aqui em Viamão, e ela lá. Ah, a tecnologia...
            De 16 a 21 de agosto, ficamos em Madri. Nesses dias, encontramos com ingleses, poloneses, ucranianos, austríacos, coreanos, indianos, franceses, indonésios... Estávamos todos lá pela mesma causa – o encontro com o Jesus Cristo e com o sucessor de Pedro – e isso nos unia; esse era o nosso idioma comum, que nos unia e criava entre nós laços de fraternidade.
            O ponto alto desse clima “pentecostal” foi, sem dúvida, a grande vigília de Cuatro Vientos, iniciada em 20 de agosto, na qual o Santo Padre consagrou os jovens do mundo ao Sagrado Coração de Jesus. Quando Sua Santidade chegou ao local da vigília, todos nós, dois milhões de jovens ansiosos por ver o sucessor do pescador de Cafarnaum, gritamos em coro, a um só espanhol: “Esta es la juventude del Papa... Benedicto!!!!!!” Espanhóis, brasileiros, ingleses, franceses, congoleses, todos gritaram numa única voz, tornando visível a ação do Espírito Santo que, dois mil anos atrás, numa manhã em Jerusalém, fez todas as nações da terra receberem o anúncio do Evangelho.
            Pentecostes não é um fato do passado, é um evento atual, que se faz presente em cada comunidade que se reúne em torno do altar para celebrar a Eucaristia;  se fez presente em Madri, em Cuatro Vientos, e se fará presente no Rio de Janeiro em 2013, quando novamente o Papa virá se encontrar com os jovens, mostrando que a Igreja quer falar à juventude, a Igreja não quer ser uma fiscal da moralidade, ela quer  ser presença junto a essa porção da sociedade que está construindo sua vida e seu futuro. Jovens brasileiros, preparem-se para este grande Pentecostes em 2013. 

Por Fabiano Glaeser, seminarista da Arquidiocese de Porto Alegre. 

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