quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Evangelização da Juventude no Brasil

 Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora (MG)

 
     O Brasil se prepara para a grande Jornada Mundial da Juventude com o Papa, a se realizar no Rio de Janeiro, em 2013.    Na oportunidade, volto ao tema da Pastoral e Evangelização da Juventude no Brasil, que tem feito progressos no que diz respeito a maior eclesialidade e mística no trabalho.

     A 44ª Assembléia Geral da CNBB, celebrada em 2006, foi um marco divisor no trabalho pastoral com os jovens. Sem críticas negativas, é preciso admitir que, nos tempos anteriores, a Pastoral da Juventude no Brasil, pouco a pouco foi criando uma estrutura rígida, e tomando certa configuração supra-diocesana, com uma organização nacional em que os Pastores locais tinham pouca voz quando não entrassem no esquema preestabelecido muito mais voltado para a militância político-partidária, ou ideológica, do que propriamente para a vivência eclesial. Sem negar reais valores seja na organização seja, sobretudo nos membros da referida Pastoral, era tempo de dar aos jovens de outros grupos de paróquias, comunidade e movimentos a certeza que têm seu lugar na vida pastoral, uma vez que optaram autenticamente por Jesus Cristo, fiéis ao magistério da Igreja.

     Entre muitas reflexões vindas dos grupos de estudo naquela Assembléia, pude contribuir com um aparte em plenário, demonstrando que era hora de mudar a concepção na evangelização dos jovens. Concretamente propus formar em todas as dioceses o Setor Juventude onde todas as forças vivas juvenis das comunidades tivessem espaço para se expressar e se ajuntar às demais experiências, num clima de fraternidade, unidade e complementaridade na ação.

     Foi enviada uma “Mensagem às Jovens e aos Jovens”, após muitas contribuições do plenário. Para a melhoria do texto, foi pedida a centralidade do encontro pessoal com Jesus Cristo, ponto de partida para tudo na vida do cristão, base para as atividades próprias dos jovens, inclusive em sua luta por um mundo mais justo e solidário. Foi sugerido destaque para a ação missionária, a consciência do discipulado, sua atuação clara em favor da vida como algo sagrado, dom de Deus. Pessoalmente, dei minha contribuição para estas idéias-força e ainda pedi que fosse acrescentada a importância da viva participação na vida paroquial, na liturgia, sobretudo na Celebração Eucarística Dominical, onde se faz o encontro pessoal e comunitário com Cristo no Pão e na Palavra, na comunhão com a Igreja e se alimenta para a vivência autêntica dos valores evangélicos.

     Os valores da família, os valores sociais e culturais, a responsabilidade na política, a luta contra os vícios, sobretudo as drogas, contra a violência e alienação foram outros aspectos importantes lembrados enfaticamente por vários bispos. É significativa a seguinte convocação feita: Jovens, nós os convocamos, em nome de Jesus Cristo, a transformar o mundo e a não ter medo de dar sua resposta à vocação batismal, ao matrimônio, ao sacerdócio, à vida consagrada, religiosa e secular, especialmente ao desfio missionário, sendo fermento, sal e luz na família, na Igreja e na sociedade.

     A nova fase iniciada em 2006 garante autêntica e vigorosa evangelização dos jovens de hoje, transformando-os em verdadeiros evangelizadores dos demais jovens que ainda estão à margem da vida em Cristo.

     Na Arquidiocese de Juiz de Fora, a JMJ-2013 vem sendo preparada com muito esmero, oração, reflexão e iniciativas dos próprios jovens. As réplicas da Cruz da Juventude e o ícone de Nossa Senhora estão em contínuo movimento, visitando paróquia por paróquia, despertando a fé e o entusiasmo dos jovens rumo ao Rio de Janeiro, no ano que vem. O Papa os espera para falar-lhe sobre Jesus Cristo.

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